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Mostrando postagens de novembro, 2016

AUTO-MUTILAÇÃO

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Atualmente na clínica tem surgido adolescentes e jovens com sintomas de comportamento auto-mutilação, de exposição ao risco e com múltiplas tentativas de suicídio.  São comportamentos violentos a si mesmos, literalmente contra o próprio corpo. Há sempre, discursivamente uma violência ao outro. Talvez por isso há tanto comportamento contra-transferencial dos profissionais de saúde em relação a esses comportamentos, como medo, culpa, raiva, desprezo.  É muito difícil lidar com paciente que seus comportamentos negam a vida e o trabalho de quem lida com a saúde. A auto-violência é um tabú na sociedade. E por isso, muito mal compreendido. A auto-mutilação, a tentativa de suicido é uma demanda ambígua.  Num plano mais óbvio, significa uma demanda de visibilidade do seu sofrimento. Há também demandas de cuidado, porém com negativas de um cuidado excessivo. Como se o cuidado também significasse uma invasão ao Ego.   O corte na pele, torna uma cicatr...

COMER EMOCIONAL

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Toda pessoa sabe que suas emoções interferem no seu apetite. Algumas pessoas ao se angustiarem perdem o apetite outras aumentam o apetite. Em geral, quando alguém diz que comeu demais devido a ansiedade (ou medo, tristeza, raiva) esse "a mais" é o comer emocional.  Popularmente é comum quem não passa pela fome emocional afirmar que é só identificar o sentimento e não come-lo. Bem, não é bem assim. Identificar o sentimento é a primeira parte. O mais difícil é encontrar outras formas de lidar com os conflitos que geram a fome emocional.  Acusar aquele que sofre de fome emocional em nada ajuda, a não ser aumentar o sentimento e culpa por não conseguir controlar suas emoções e descontar na comida. E nesse instante que a terapia ajuda. Uma vez identificadas as emoções que causam a compulsão alimentar (comer emocional), buscar estratégias singulares de enfrentamento é um processo que ocorre durante a terapia. Esse processo não é rápido como os livros de auto-ajuda e...

A informação como fonte de desinformação

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O capitalismo contemporâneo superdimensionou um novo tipo de mercadoria, a informação. Há um culto à informação, vivemos na "sociedade da informação". Para se tornar um profissional apto ao mercado de trabalho, exige-se de cada um que seja "antenado". Isto significa acompanhar noticiários, ler jornais e revistas, saber vários assuntos e ser um profundo conhecedor de sua área.  No entanto, essa exigência de "saber tudo", paradoxalmente, nos torna ingênuos e alienados frente à realidade. A vasta quantidade de informação a ser assimilada nos impede de compreender qualquer uma delas. Portanto, a ideologia moderna da sede de conhecimento inevitavelmente nos leva à superficialidade e à incompetência crítica.  Nos noticiários, por exemplo, as chamadas e as matérias são curtas e desconectadas de suas causas e conseqüências. Antes mesmo que o telespectador inicie a sua tentativa de assimilá-la com outros fatos, os jornais mudam de assunto. Outro exemplo...

VIDA ÁGIL E PASSAGEIRA.... ONDE FICA O ADOECER?

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Vivemos uma sociedade que glorifica a juventude, velocidade, agilidade. Nesse sentido o adoecer é fator de exclusão.  Pois o doente não tem o mesmo poder produtivo que o jovem saudável. Adoecer é natural na vida.  É chocante não? Parte da saúde existe porque adoecemos. Saúde é um conceito dinâmico. Ninguém passa a vida toda sem nunca adoecer.  Ao menos um resfriado, uma torção do pé, algo teremos em algum momento. Se todos adoecemos em algum momento porque tanta dificuldade com o adoecer?  A doença obriga mudar o ritmo, respeitar o tempo do corpo de recuperação, repensar as prioridades. Por mais desagradável que seja o adoecer ele é uma oportunidade de autoconhecimento. De descoberta de outros poderes e habilidades. De reinvenção de si.

O QUE É CULTURA?

O que é Cultura? O que é cultura? ainda me marca o livro que li nas aulas de Antropologia.  Creio que vale a pena pesquisar e ler ( no meu caso, re-ler).  Cultura é a expressão de um grupo, uma população. Expressa laços históricos construídos, reflete uma memória histórica do povo e as suas mudanças. Mostra que a cultura marginal pode se mostrar representante de minorias. O meu gosto cultural reflete um pouco de quem eu sou, onde vivo, qual grupo social pertenço. Minhas escolhas e preferências refletem a minha idade, pensamento, resistências, opiniões. E a CULTURA, embora influenciada pela escolaridade existe apesar e independente dela. Educação formal não é o mesmo que cultura. Um dos melhores sambistas que existiu (na minha opinião), Adoniran Barbosa, não tinha alta escolaridade. E foi genial.O ritmo do samba foi profundamente influenciado pelos ritmos das religiões de origem africanas. O funk brasileiro tem ritmo "que gruda" e letras que refletem realidades t...