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Mostrando postagens de 2018

O SER e FAZER: MANIFESTAÇÕES NA CLÍNICA

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A Sociedade contemporânea exige do indivíduo muitas conquistas, aquisições, medalhas, objetos, sucessos e principalmente sempre relacionadas a capacidade de fazer muitas coisas, de ser pró-ativo, multitarefas, muitos títulos e certamente ter uma agenda cheia. Valoriza o poder, o dinheiro, os títulos, a beleza... Você já se sentiu cansado, vazio e sozinho mesmo cercado de pessoas e apesar dos méritos? Já terminou uma conquista e achou s em sentido? Percebeu que a conquista veio dos olhos dos outros, mas nada valia para você? Acha que sua vida não vale nada, apesar de ter muitas coisas? Talvez tenha não tenha se sentido verdadeiramente conectado com suas conquistas. Será que não se sente uma fraude? Pois isso acontece porque a sociedade nos exige sempre mostrar uma máscara de sucesso, mas pouco importa o que esse sucesso significa para você. Sabe porque você se sente tão mal apesar das coisas que tem? Porque na natureza humana, o SER vem antes do FAZER. Como assim? É preciso ...

O RISCO DE VIVER

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Escuto com certa frequência queixas relacionadas à ansiedade e ao medo. Muitas vezes se manifestam pelo medo de errar, de ousar, de brincar, ou mesmo no extremo medo de sair de casa. O medo é um sentimento inerente aos animais, trata-se de uma defesa para a sobrevivência. Na natureza observamos animais fazendo pose de “grande”, rangendo e  mostrando os dentes e garras, preparando-se para a luta contra o inimigo. Outra estratégia de sobrevivência é “fingir-se de morto”, permanecendo imóvel. Somos animais sociais e intelectuais, nossa natureza humana se faz pela interação e cuidado por outros seres-humanos,  de forma que mantemos nossos impulsos instintivos, de reação fisiológica. Mas nossas reações também são moldadas pela natureza cultural que estamos inseridos. Nossos medos, já não são tão primitivos quanto em seres que vivem numa natureza selvagem. Mas nosso impulso de vida, de criar, de produzir e sobreviver se mantém. Portanto, nossos medos ad...

Fases do Paciente Terminal

Alfredo Simonetti (2004) propõe ao psicólogo realizar o diagnóstico sob quatro eixos: o diagnóstico reacional, o diagnóstico médico, o diagnóstico situacional e o diagnóstico transferencial. O autor explica, sobre o diagnóstico reacional, que a doença pela importância central que ocupa na vida da pessoa, esta passa a agir em torno de uma órbita de quatro posições reacionais à doença. Os quatro eixos principais são: negação, revolta, depressão e enfrentamento. De acordo com o autor, em geral a pessoa segue essa ordem da órbita da doença, mas não necessariamente. É possível, o doente encontrar-se em uma posição intermediária ou mesmo flutuar de posição de um dia para o outro. Sobre as posições reacionais em torno da doença o autor explica: Estas posições não são específicas para a doença e constituem-se, isto sim, nas maneiras que os humanos dispõem para enfrentar crises, receber notícias ruins, lidar com mudanças, encarar a morte e também de reagir às doenças. Segundo Laca...

Morte: Aspectos históricos

De acordo com Ariès (2003), na idade média as pessoas lidavam com morte de um modo familiar, intima. Esta forma especial de lidar com a morte ele chamou de “morte domada”. Nela, o assunto da morte não era tabu, o moribundo com freqüência tinha uma premonição ou convicção intima da morte. Sentia a presença e a proximidade do fim. O doente, já prevendo a morte, toma providências, realiza e controla um ritual em torno de seu fim. A cerimônia é pública, no leito de casa, conta com a presença de familiares e amigos. Na “morte domada” as crianças participavam dos rituais diferentes da atitude atual de encobrir a morte às crianças. Elias (2001) concorda com Ariès (2003) que na Idade média as pessoas a temáticao tema da morte não era tratado com mais naturalidade que as gerações mais modernas. Os autores concordam que a morte hoje é um tabu tal qual o sexo era na época vitoriana. Entretanto, Elias critica Ariès por romantizar as atitudes em relação à morte na ida...

Morte: Aspectos psicossociais

Na língua portuguesa, o termo paciente associa-se à passividade, e o doente quando se torna paciente passa ade agir como objeto da medicina. De acordo com Kovács (2002), nessa perspectiva, o doente deve agir passivo silencioso frente à atuação do médico, pois o paciente não é mais visto como pessoa. A história da medicina atravessa a história da morte. A morte deixou de ser familiar para ser tornar medicada, envolta de conhecimentos técnicos e científicos sobre o corpo, vida e morte. O termo clínica vem do grego, e significa reclinar-se sobre. Havia na clínica médica outra forma de relacionar-se com o paciente. A tecnologia afastou médicos de seus pacientes, os exames laboratoriais e de imagem substituem às práticas mais antigas que envolviam o toque no paciente. Por conseqüência, a relação médico-paciente afastou-se e os relatos do doente diminuem de importância para o diagnóstico, deixando este cada vez mais afastado e passivo frente à terapêutica proposta pelo médico...

Enfrentamento do Luto

A posição de enfrentamento demonstra que o paciente lida com a doença de maneira mais realista, superou fantasias de potência e impotência (SIMONETTIimonetti, 2004). Estes sentimentos coexistem, porém como dito anteriormente, de forma realista. O enfrentamento parece agir como um pêndulo, em que a pessoa assimila os sentimentos do luto, das perdas, da revolta e age variando as posições conforme ajustamento do senso de realidade. Simonetti (2004) afirma que o enfrentamento é uma mistura e alternância entre luto e a luta. Luta é tudo que uma pessoa faz diante de um limite tentando modificá-lo, e o luto é tudo aquilo que uma pessoa faz diante de uma perda objetal, tentando suportá-la. Essa polaridade luta-luto não é específica da doença, sendo uma estratégia humana para lidar com mudanças (SIMONETTIimonetti, 2004, p.61). O padrão típico do enfrentamento é basear-se na solução realista. A questão de cada sujeito é identificar o que é de fato, um dado realista. A solução d...

Fases do Luto: Aceitação

De acordo com Kübler-Ross (2008), a aceitação é o último estágio, mas nem todos pacientes chegam a desenvolvê-la. Esse momento é marcado pela tranqüilidade por ter se despedido de seus entes queridos e preparar-se para a morte. O paciente dorme e repousa bastante e esse momento pode ser muito difícil para os familiares que ainda não aceitaram a morte. Um paciente que tiver tido tempo necessário (isto é, que não tiver tido uma morte súbita e inesperada) e tiver recebido alguma ajuda para superar tudo conforme descrevemos anteriormente atingirá um estágio em que não mais sentirá depressão nem raiva quanto a seu “destino”. Terá podido externar seus sentimentos, sua inveja pelos vivos e sadios e sua raiva por aqueles que não serão obrigados a enfrentar a morte tão cedo. Terá lamentado a perda iminente de pessoas e lugares queridos e contemplará seu fim próximo com certo grau de tranqüila expectativa. Estará cansado e bastante fraco, na maioria dos casos. Sentirá também a neces...

Fases do Luto: Depressão/ Tristeza

A depressão ocorre quando a negação e a raiva estão diminuídos, e o sentimento de perda se sobrepõe. A pessoa percebe que perdeu a saúde, perderá a vida, amigos, amores, projetos de vida. A depressão entendida como estágio de enfrentamento da morte é diferente da depressão como doença psiquiátrica, pois o estado depressivo aqui demonstra uma forma de elaboração do luto da vida e das perdas relacionadas à própria morte.(SIMONETTI, 2004; KUBLER-ROSS, 2008). Quando o paciente em fase terminal não pode mais negar a sua doença, quando é forçado a submeter-se a mais uma cirurgia ou hospitalização, quando começa a apresentar novos sintomas e tornar-se mais debilitado e mais magro, não pode mais esconder a sua doença. Seu alheamento e estoicismo, sua revolta e raiva cederão lugar a um sentimento de grande perda. (KUBLER-ROSSubler-Ross, 2008. p. 91). A posição de depressão é uma fase no qual o doente “entrega-se passivamente a sua doença” (SIMONETTIimonetti, 2004, p.53). Nesta fa...